Angola no Mundial de Futebol

Um mundial de futebol é uma verdadeira festa. É daquelas coisas que a gente experimenta uma vez e depois quer sempre. E é isso que se passa comigo e certamente milhões de amantes do futebol. Infelizmente, para meu "azar", não tive possibilidades de assistir in situ ao mundial da África do Sul, por razões familiares e, agora, em 2014 não consegui desfazer-me dos compromissos profissionais para estar no Brasil. Muitos amigos, familiares e conhecidos tiveram melhor sorte.


Para lá deste desabafo, o Mundial do Brasil 2014 está uma verdadeira supresa, seja no campo desportivo como organizativo. Vamos ao primeiro. A Espanha, detentora do título foi eliminada na primeira fase, sofrendo inclusive uma humilhante derrota da laranja mecânica, a Holanda. Cristinao Ronaldo não conseguiu salvar Portugal, Pirlo não teve magia suficiente para levar longe a squadra zurra e nem mesmo o excesso de jogadores do Liverpool deu força e garra a Inglaterra. Somado à isso, tivemos algumas decepções de tradicionais africanos como Camarões e Ghana que confirmaram mais uma vez a desorganização que reina nas nossas hostes. Mas está a ser um Mundial de Futebol com muitos golos e isso faz a alegria dos amantes da bola. Veremos quem leva o título: Brasil, França, Alemanha ou Argentina. "Prognósticos só no fim"…


Em termos desportivos não se passou a mesma coisa. Muitas obras prometidas não sairam do papel. Muitas obras edificadas tiveram custos faraónicos e isso levou a furia de alguns brasileiros que se manifestaram até ao último minuto antes da bola rolar, confirmando a ideia preconcituosa, mas real de que o Brasil é mesmo o País do futebol. Não obstante tudo isso, chegam-nos noticias de uma inflação inesperada de preços e algumas dificuldades em matéria de transporte e alojamento. Quem lá esteve não tem dúvidas em afirmar que na África do sul foi melhor, ou como quem diz, os africanos revelarão capacidade. Mas nada que se compare à Alemanha que ainda hoje dispõe de condições para voltar a organizar o certame.


Mas o que dizer de nós angolanos, neste mundial? Tivemos sempre uma firme esperança de que seriamos o terceiro país da lusofonia presente no Mundial. Cabo-verde esteve mais próximo por melhor organização. Nós angolanos estivemos presentes com o William Carvalho na seleção portuguesa e continuamos a alimentar esperanças de ganhar o mundial pelo nosso sangue e ancestralidade que corre nas veias de Blaise Matuide ou de Rio Mavuba. O que é mais certo é o número de adeptos ou turistas angolanos que se deslocaram ao Brasil. E aqui, uma palavrinha especial ao amigo Yuri Simão que a tempo se tornou agente FIFA e abriu-nos as portas para assistirmos grandes eventos, como é o próprio Mundial, para além de várias empresas angolanas, privadas e públicas que brindaram funcionários, gestores e parceiros com um ticket, seja de que tipo, para assistirem aos jogos e confirmar a festa nas bancadas ou camarotes, nas ruas e discotecas, nos fest fans park, enfim, alegria do futebol, o opio do povo.


Aguardemos por 2018. Que tenhamos a alegria de voltar a pular como foi do golo marcado por Flavio Amado contra o Irão. Até lá, temos muito trabalho.    

Comentários