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As bases estão lançadas. Seja do ponto de vista político, seja também em termos económicos e sociais. Melhor dizendo: João Lourenço e Bornito de Sousa são a nova dupla com legitimidade para dirigir os destinos da governação da República. Foram eleitos com maioria bastante para iniciar um novo ciclo no País.

João Lourenço e Bornito de Sousa encontram um País com sérios dilemas. Mas as bases estão lançadas, repito. Porquê? Porque há mais energia para a industrialização e há maior circulação em todo o território fruto do investimento em infra-estruturas que foi sendo feito nos últimos anos para dinamizar os serviços – comércio e turismo, especialmente. Urge pois a sua optimização em prol da recuperação económica.

Do ponto de vista social, também há grandes avanços. As condições de habitabilidade dos angolanos melhoraram de modo significativo. Houve um processo de massificação do ensino e dos serviços de saúde. Neste quesito, há dois claros desafios: elevar a qualidade dos serviços, seja do ensino seja da assistência médica à população e acabar definitivamente com a existência de crianças em idade escolar fora do sistema de ensino.

Assim sendo, alcançada que está a maioria qualificada, e depois do cumprimento do cronograma eleitoral, em vários círculos começam a cogitar-se os nomes para o novo governo, na senda da conclusão das próximas etapas do cronograma político, como a tomada de posse do Presidente e dos deputados.

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O grande desafio do novo Executivo é a recuperação económica, permitindo assim ao País melhorar os seus indicadores sociais. Felizmente para o novo Presidente, é sobretudo no seio do MPLA, mas não só, que se encontram os experts com conhecimento sólido e experiência profunda para traçarem as melhores políticas macroeconómicas e sociais, com base no programa, a fim de atingirmos este desiderato.

Mais importante do que a definição das políticas é a condução das mesmas e isso então irá definir o perfil dos governantes da nova administração. Esta será já uma garantia de confiança quanto aos resultados. João Lourenço repetiu algumas vezes que irá procurar ter “homens certos nos lugares certos”. Um equilíbrio entre a ousadia de alguns jovens e a experiência de kotas mais calejados, com habilidade para negociação interna e externa. A lógica que presidirá a escolha deverá ser, acima de tudo, a do mérito e da competência, sendo esta a imperativa maneira de estar, nos tempos novos, com efeitos na renovação da confiança em 2022. Acima de tudo, com melhor reputação e boa comunicação.

Este mandato não será fácil na medida em que existem reformas profundas a ser introduzidas no país, no aparelho da administração pública e no sistema económico, e muitas delas, convenhamos, são impopulares. Outras são urgentes e necessárias no sentido de sermos um país normal, de direito, com separação de poderes e respeito pelas instituições do Estado, de patriotismo e sentido de pertença à colectividade, um País mais respeitado na cena internacional pelos resultados que pode alcançar com o potencial de recursos humanos e minerais que dispõe.

Finalmente, nesta coluna, gostaria de juntar-me ao coro daqueles que felicitaram o Presidente José Eduardo dos Santos, pela passagem do seu 75º aniversário natalício. O Presidente dos Santos é um dos políticos mais experimentados da arena internacional pelo seu envolvimento directo em factos históricos importantes – luta contra o apartheid, luta contra o terrorismo, luta pela independência dos povos africanos e outros como Timor Leste, fim de conflitos e busca da estabilidade política, para além de ser um dos pioneiros da transformação económica e social de vários países africanos, fruto de uma new wave no relacionamento estratégico com a China.



Mais relevante para a história contemporânea de Angola foi a sua defesa da soberania, o fim da guerra, gestão da paz e a forma como tem sido gerida a transição política. De modo muito sereno, responsável e com elevado sentido de Estado entre os diferentes players. Ao mesmo tempo, a saída do Presidente dos Santos coloca por terra todos os argumentos daqueles que se agarravam meramente a longevidade, ignorando as contrariedades históricas do nosso processo político, desde a independência. Quanto ao seu legado, entre coisas boas e outras por ventura menos conseguidas, afinal é também a dialéctica da vida, José Eduardo dos Santos poderá mesmo, como é sua pretensão, ser lembrado como um grande patriota. Deu o melhor de si pelo País. Parabéns, Presidente!


Texto de Adebayo Vunge, publicado na edição do dia 29 de Agosto, no Jornal de Angola em
http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/ao_trabalho

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